Fascinado! Assim sentia-se Rixarde. Seus olhos brilhavam, na boca uma expressão de espanto. Seu corpo em transe, num frenesi elétrico! A música alta de batidas sincronizadas como as de um grande coração pulsando forte de tanta excitação. Nunca divertiu-se tanto! Jamais sentira aquela onda de arrepios que levantava cada pêlo de seu corpo!
As apresentações continuaram noite afora. Além de Gilux, Babilônia, Play, Gueixa, Lady Ju e Rubi. No palco junto com elas em cada performance, bailarinos seminus, corpos bem torneados, verdadeiros deuses!
As roupas coloridas, unhas vermelhas, tão compridas que pareciam raios de luz. Perucas imensas, as lantejoulas brilhantes, os sapatos gigantes que agora pareciam calçar os pés de delicadas bailarinas, dançando em nuvem esfumaçadas, espalhando-se por todo ambiente.
Os clientes aplaudiam entusiasticamente, sorriam encantados. Movimentavam-se freneticamente ao som estridente da música quase ensurdecedora. Não paravam, queriam mais. Rixarde também!
Subitamente se viu no palco. Pele brilhando ao reflexo das luzes, uma peruca de cabelos longos, loiros, e cílios vivos como os de Gilux. Um vestido rabo de sereia, e brilho, muito brilho. A boca esculpida, tal e qual os lábios de Play. Nos pés os maravilhosos sapatos gigantes, desses calçava o mais alto.
No meio da noite, Beto convidou os rapazes para conhecerem as estrelas no camarim. Rixarde sentiu um frio na barriga, mas foi.
Havia muita agitação no reduto das Drags. Todas falavam ao mesmo tempo, sorriam, e comentavam sobre suas apresentações. Então Beto aproximou-se para apresenta-los.
- Meninas, esses são José e Maurício. Vicente já conhecem. E esse é Rixarde que também trabalha aqui durante o dia.
As Drags cercaram os jovens, cheias de beijinhos e toques às vezes provocantes. Beto e Vicente que já estavam acostumados com o jeito despojado das artistas do lugar, morriam de rir do acanhamento dos outros rapazes.
Rixarde era o mais tímido, não por repudiar essa aproximação, mas por admirá-las, eram deslumbrantes! Suas mãos tremiam diante delas.
Play tocou o queixo de Rixarde com a pontas dos dedos e perguntou:
- Então, gostou do show?
- Gostei, sim sinhora! - Todas caíram na risada com a resposta tão formal.
- Rixarde, querido. Me chame pelo nome. Aliás, a todas nós. Senhora está no céu!
- Sim sinhora! Oh, moça, Dona Play.
- Play, Rixarde. Apenas Play.
- Tá certo, Play.
- Isso.
Então Gilux aproximou-se com seus cílios vivos bailando a cada pestanejar, e também falou com Rixarde.
- Do que mais gostou no show?
- Ah, e-eu?
- É, você!
- Gostei dos brilho, das rôpa, dos sapato, dos cabelo colorido de vocêis. Dos jeito de dançá, de tudim! - E enquanto falava, estalava os dedos, mostrando o sorriso novo de dentes brancos como diamantes. Que agora estavam tão cômodos em sua boca que já tinha a impressão de ter nascido com eles.
Todos riram do jeito matuto e simples de Rixarde.
Babilônia pôs as mãos na cintura e falou:
- Garoto, você leva jeito! - Disse sorrindo.
- Oxente, jeito pra quê?
- Querido, não se preocupe, esse "jeito" desabrochará logo, logo. Conviva um pouco mais conosco e então verá. - Disse isso enrolando uma pluma no pescoço de Rixarde. Ele sorriu acanhado, adorava aquelas coisas tão macias.
As Drags trocaram olhares, e também sorriram.
Os rapazes se despediram de todas e saíram da boate. Beto levou Rixarde até a pensão.
Já deitado, pronto para dormir, lembrou dos shows das Drags, da alegria que transpiravam, das luzes...
Feliz, sentia-se feliz! Era isso que desejava, que almejava com todas as forças. Agora tinha plena certeza. Queria o glamour, os brilhos, os aplausos, o reconhecimento no final de uma apresentação.
Queria ser famoso!
As apresentações continuaram noite afora. Além de Gilux, Babilônia, Play, Gueixa, Lady Ju e Rubi. No palco junto com elas em cada performance, bailarinos seminus, corpos bem torneados, verdadeiros deuses!
As roupas coloridas, unhas vermelhas, tão compridas que pareciam raios de luz. Perucas imensas, as lantejoulas brilhantes, os sapatos gigantes que agora pareciam calçar os pés de delicadas bailarinas, dançando em nuvem esfumaçadas, espalhando-se por todo ambiente.
Os clientes aplaudiam entusiasticamente, sorriam encantados. Movimentavam-se freneticamente ao som estridente da música quase ensurdecedora. Não paravam, queriam mais. Rixarde também!
Subitamente se viu no palco. Pele brilhando ao reflexo das luzes, uma peruca de cabelos longos, loiros, e cílios vivos como os de Gilux. Um vestido rabo de sereia, e brilho, muito brilho. A boca esculpida, tal e qual os lábios de Play. Nos pés os maravilhosos sapatos gigantes, desses calçava o mais alto.
No meio da noite, Beto convidou os rapazes para conhecerem as estrelas no camarim. Rixarde sentiu um frio na barriga, mas foi.
Havia muita agitação no reduto das Drags. Todas falavam ao mesmo tempo, sorriam, e comentavam sobre suas apresentações. Então Beto aproximou-se para apresenta-los.
- Meninas, esses são José e Maurício. Vicente já conhecem. E esse é Rixarde que também trabalha aqui durante o dia.
As Drags cercaram os jovens, cheias de beijinhos e toques às vezes provocantes. Beto e Vicente que já estavam acostumados com o jeito despojado das artistas do lugar, morriam de rir do acanhamento dos outros rapazes.
Rixarde era o mais tímido, não por repudiar essa aproximação, mas por admirá-las, eram deslumbrantes! Suas mãos tremiam diante delas.
Play tocou o queixo de Rixarde com a pontas dos dedos e perguntou:
- Então, gostou do show?
- Gostei, sim sinhora! - Todas caíram na risada com a resposta tão formal.
- Rixarde, querido. Me chame pelo nome. Aliás, a todas nós. Senhora está no céu!
- Sim sinhora! Oh, moça, Dona Play.
- Play, Rixarde. Apenas Play.
- Tá certo, Play.
- Isso.
Então Gilux aproximou-se com seus cílios vivos bailando a cada pestanejar, e também falou com Rixarde.
- Do que mais gostou no show?
- Ah, e-eu?
- É, você!
- Gostei dos brilho, das rôpa, dos sapato, dos cabelo colorido de vocêis. Dos jeito de dançá, de tudim! - E enquanto falava, estalava os dedos, mostrando o sorriso novo de dentes brancos como diamantes. Que agora estavam tão cômodos em sua boca que já tinha a impressão de ter nascido com eles.
Todos riram do jeito matuto e simples de Rixarde.
Babilônia pôs as mãos na cintura e falou:
- Garoto, você leva jeito! - Disse sorrindo.
- Oxente, jeito pra quê?
- Querido, não se preocupe, esse "jeito" desabrochará logo, logo. Conviva um pouco mais conosco e então verá. - Disse isso enrolando uma pluma no pescoço de Rixarde. Ele sorriu acanhado, adorava aquelas coisas tão macias.
As Drags trocaram olhares, e também sorriram.
Os rapazes se despediram de todas e saíram da boate. Beto levou Rixarde até a pensão.
Já deitado, pronto para dormir, lembrou dos shows das Drags, da alegria que transpiravam, das luzes...
Feliz, sentia-se feliz! Era isso que desejava, que almejava com todas as forças. Agora tinha plena certeza. Queria o glamour, os brilhos, os aplausos, o reconhecimento no final de uma apresentação.
Queria ser famoso!
Continua...
Texto registrado no Literar.org
Imagem original aqui.










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